quinta-feira, abril 10, 2008

"Fraldiqueiros"

Coitarados!
Meninos, tiveram pouca mamã.
Carências afectivas afunilaram-nos psiquicamente
desde a impoética infância até este corrimento senti-
[mental
em que, grandinhos, se compensam, comprazem.
Continuam a gotejar.

Coitarados!
Gulosos de pontas de dedos,
perdem-se em beijoqueirices, diminutivas ternurinhas.
Têm sempre rebuçadinhos d'alma para as mulheres.
Falam freud ao colo das amigas.

Fraldiqueiros. . .
Vai levar-lhes isso a nojo, machão?
MuIheres gostam. Riem, prazidas.
«Venha cá à mamã!»

O golpe do coitadinho (não confundir com o golpe
do irmãozinho, esse na base do esquema da alma gémea)
é o que estás a ver: saltar para o regaço e pedir nhém
[nhém
em nome do Sigismundo, daquele que dizia, salvo erro:
A alma? Geme-a...

Fraldiqueiros
a mandarem beijinhos por teleférico!
[de saliva
Engatinhantes, tiram do estojo complexos em forma
[de saxofone
e tocantam-lhes a pingona freudista canção do bandido,

Fraldiqueiros. . .
Mulheres gostam. Até onde?


Alexandre O´Neill - Poesias Completas

4 comentários:

lampâda mervelha disse...

Sim, até onde?

Vício disse...

até ao fim?

Abssinto disse...

O Grunho encostaria este O´Neill à parede e mãos no colarinho, com a testa encostada na dele perguntava-lhe "chefe, mas quem é fraudiqueiro, diga lá?"

;)

Maga Ostrológica disse...

Ah ah ah! ;D Na certa!